“Memórias e Vivências do Sentir” patente até 31 de maio
A exposição “Memórias e Vivências do Sentir” foi inaugurada na sexta-feira, dia 7 de março. No mesmo dia, decorreu, ainda, a apresentação do catálogo da exposição e do projeto com o mesmo nome.
A exposição e o catálogo reúnem os registos de três fotógrafos que acompanharam os principais momentos e manifestações religiosas durante o período da Quaresma em 2023, no âmbito desta iniciativa do Município de Penamacor, que conta com o apoio do Instituto de Investigações Antropológicas de Castela e Leão e do projeto Música Portuguesa a Gostar Dela Própria.
Durante a apresentação houve, também, lugar a diversos momentos musicais relacionados com estas manifestações a cargo de grupos da comunidade local, nomeadamente, de Meimoa, Pedrógão, Salvador e Penamacor.
“Memórias e Vivências do Sentir” parte da premissa que o território de Penamacor, centrado numa geografia de raia ibérica beirã, hoje pautado por uma multiculturalidade de povos, crenças e costumes, assenta sobre uma realidade de matriz cultural e religiosa, profundamente rural e cristã. Ao longo do tempo, fatores como a migração levaram a que o território sofresse grandes alterações do ponto de vista da paisagem cultural, fazendo com que este se tornasse dito de baixa densidade populacional e com fortes ruturas nas cadeias de transmissão intergeracional. Desta forma, este projeto pretende, numa primeira instância, levantar e registar as manifestações culturais relacionadas com o período religioso da Quaresma: a Páscoa e do ciclo de romarias que ocorrem no território desde a Quarta-Feira de Cinzas até ao Dia de Pentecostes. O objetivo centra-se na salvaguarda da identidade cultural destas comunidades, por forma a divulgar e valorizar o território através dos aspetos culturais relacionados com esta temática, tais como as o Encomendar das Almas, o Entoar dos Martírios ou o Cântico das Alvíssaras, que ainda podem ser vivenciados junto das comunidades locais, mas que se encontram em riscos de desaparecer.
Durante a apresentação, Carlos Montes, do Instituto de Investigações Antropológicas de Castela e Leão, lembrou a importância da antropologia e da fotografia etnográfica na documentação, valorização e transmissão das culturas tradicionais, agradecendo ao Município de Penamacor pela oportunidade que deu ao instituto para participar nesta e noutras investigações, “que permitem a recuperação de património cultural”. A terminar, o responsável deixou ainda o repto de levar esta exposição a Salamanca, o qual foi aceite pela Vice-Presidente da Câmara Municipal, Ilídia Cruchinho.
A autarca lembrou que o objetivo deste trabalho é o de dar “a conhecer o património imaterial local relacionado com a Quaresma”, trabalho que, na opinião da Vice-Presidente do Município, dignifica todos e, ainda, o território. “Sinto-me feliz porque estas tradições se mantêm vivas. Há vinte anos estavam inativas e foi feito um trabalho de registo em vídeo. O trabalho foi continuando e voltamos a ele para o deixar para as gerações vindouras e não correr o risco de perder este património”, disse.
Já o Presidente da Câmara Municipal de Penamacor, António Luís Beites Soares, lembrou que este é apenas o primeiro passo do trabalho que está a ser desenvolvido, sendo que o que foi feito até agora é muito maior do que aquele que foi agora apresentado em livro e em exposição. “O trabalho está espetacular e é ainda um resumo do que foi feito, apesar de ter muito conteúdo e simbolismo. São pequenos trabalhos com grande dimensão, que ficam para o futuro, ajudando a preservar os usos e costumes do nosso concelho”.
A exposição reúne 45 fotografias sobre esta temática, incorporando ainda audio recolhido durante o projeto. Já o catálogo reúne 100 fotos sobre o tema.
Esta mostra poderá ser visitada entre terça-feira e domingo, das 9:00 às 12:30 e das 14:00 às 17:30, durante o normal horário de funcionamento do Museu Municipal, até ao dia 31 de maio.
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