“Esquecidos em Abril: Os mortos da revolução sem sangue” apresentado no Salão Nobre dos Paços do Concelho
O Salão Nobre dos Paços do Concelho, em Penamacor, recebeu a apresentação do livro “Esquecidos em Abril: Os mortos da revolução sem sangue”, no sábado, dia 5 de outubro. A iniciativa contou com a intervenção do autor da obra, Fábio Monteiro, e da Vice-Presidente da Câmara Municipal, Ilídia Cruchinho.
Atualmente a residir na freguesia de Aranhas, concelho de Penamacor, Fábio Monteiro venceu, em 2015, o prémio Gazeta Revelação de jornalismo, o mais importante galardão nacional para repórteres até 30 anos, com o trabalho “Pendurados num Sonho”, publicado no Observador. O talento para a escrita deu-lhe ainda o Prémio Branquinho da Fonseca 2017 com o livro para crianças “A Construção do Mundo”.
Ilídia Cruchinho referiu que este livro não podia faltar às comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, em Penamacor, lembrou que foi escrito na freguesia de Aranhas e disse esperar que a aldeia do concelho sirva de inspiração a outras obras do autor. “Além de ter sido escrito no concelho, tem a particularidade de um dos mortos durante a revolução ter sido um soldado da Companhia Disciplinar de Penamacor. Por tudo isto consideramos que este livro devia ser aqui apresentado”.
Já Fábio Monteiro disse ser um Beirão adotivo já que há nove anos se mudou para a freguesia de Aranhas, lembrando que este livro foi apresentado em Penamacor numa data também ela importante para o País: o 5 de Outubro. O autor explicou que existiam poucos registos, o nome e pouco mais, das vítimas do 25 de Abril de 1974 e que ficou com o “bichinho” de saber quem eram estes cidadãos anónimos. “Este livro seria impossível fazer se estivesse a morar em Lisboa. Precisei de investigação e muitas horas no Registo Civil. Estive tardes inteiras com os funcionários a tentar chegar aos nomes e em qualquer outro Registo Civil fora daqui isso seria completamente impossível”, disse.
“Seis nomes sem biografia, encontrados no virar de uma página, são como seis cadáveres desconhecidos. Objetos de curiosidade mórbida e de indignação momentânea, que depressa acabam esquecidos. A 25 de Abril de 1974, cinco portugueses, quatro civis e um funcionário da PIDE, morreram na rua António Maria Cardoso; no dia seguinte, um agente da PSP foi assassinado no Largo de Camões. Fala-nos de João Guilherme de Rego Arruda, José James Harteley Barneto, Fernando Luís Barreiros dos Reis, Fernando Carvalho Giesteira, António Lage e Manuel Cândido Martins Costa. Esquecidos em Abril é uma investigação jornalística que dá corpo à memória dos mortos do golpe de Estado, pela primeira vez em 45 anos, expondo o mito da Revolução sem Sangue, que habita grande parte da consciência coletiva nacional. Nem todo o encarnado do "dia inicial inteiro e limpo" pertenceu aos cravos nos canos das espingardas”, pode ler-se na sinopse do livro.
Esta apresentação integra o programa anual das comemorações dos 50 anos da Revolução dos Cravos, que pode ser consultado no portal do Município de Penamacor, em www.cm-penamacor.pt/p/50anos25abril
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