A história de Penamacor compreende um largo e obscuro período que podemos delimitar desde tempos pré-históricos até ao séc. XII d.C., do qual não existe qualquer informação relevante, excepção feita à época romana; e um outro rela-tivamente conhecido, que decorre da data da sua tomada aos mouros pelo segundo rei de Portugal, D. Sancho I, até aos nossos dias.
Sabe-se, por escavações recentes, que foi um habitat pré-histórico, mais tarde terras lusitanas e, por cerca de cinco séculos, domínio do Império Romano, ao que sucederam os reinos alano, suevo e visigodo até às invasões de árabes e berberes.
Em finais do sec. XII, quando em toda a península as hostes cristãs se afanavam na reconquista, aquele rei, com a preciosa ajuda dos cavaleiros templários, integrou definitivamente Penamacor no reino de Portugal.
Seguiu-se um longo período de relativa prosperidade, em boa parte devida à importância estratégica do lugar enquanto praça de armas para garantir a consolidação e defesa das linhas de fronteira, até que as grandes transformações sócio-políticas e económicas operadas, vieram contribuir para o seu gradual declínio, contra o qual se luta nos dias de hoje.
Do passado, ficou, apesar de tudo, um valioso legado patrimonial, que o Município procura preservar.
|
| Porta da Vila |
|
 Castelo
Após a reconquista, procedeu-se de imediato à fortificação do lugar, situado no alto da penha granítica, onde se viria a desenvolver a vila de Penamacor, doravante posto avançado na luta contra os mouros, defendido por um dos maiores e mais sólidos castelos de Beira, por várias vezes acrescentado e adaptado às novas exigências que a evolução das técnicas de guerra impunham.
Hoje, do grande castelo medieval sobra apenas a poderosa Torre de Menagem que terá sofrido obras de reconstrução ou ampliação em vários tempos. |
Torre de Menagem - o que resta do castelo de Penamacor |
 Dómus Municipalis, Muralha e Torre do Relógio
O conjunto monumental constituído pela antiga Casa da Câmara, o trecho de muralha ainda existente e a Torre do Relógio, deixam entrever como seria a estrutura de defesa da velha vila medieval. Um alto muro servido por adarve e ameias circundava o monte, configurando uma elipse orientada no sentido Este - Oeste, com a alcáçova a erguer-se a nascente. Os pontos mais permeáveis aos ataques eram reforçados por barbacãs e uma ou outra albarrã de que a Torre do Relógio é exemplo. A principal porta de entrada no burgo é a que hoje se situa sob a Dómus Municipalis, conhecida por Porta da Vila. |
Pelourinho |
 Igreja da Misericórdia
As Misericórdias foram instituídas em Portugal pela rainha D. Leonor, a partir de 1498, reinava D. Manuel I. A pequena igreja de Penamacor data certamente do tempo desse rei, em cuja época a vila regista um assinalável surto de crescimento urbano, atestado pelos numerosos apontamentos arquitectónicos disseminados pelo arrabalde, de feições caracteristicamente manuelinas. |
Portal da Igreja da Misericórdia |
 Convento de S.to António
Conhece-se a data do início da sua construção: 3 de Maio de 1571. Erguido com a colaboração e empenhamento de todas as gentes da vila, o convento veio a acolher os frades Capuchinhos da Província de Soledade até, muito provavelmente, à extinção das ordens religiosas no primeiro Liberalismo.
O conjunto da construção é composto de igreja e claustro de traça renascentista. A talha exuberante que cobre altares e reveste o tecto em forma de abóbada contrapõe-se à simplicidade estrutural do corpo da igreja. O pequeno claustro, de duas ordens, conjuga harmonia e proporção. Sobre o arcaz da sacristia, alinham-se algumas distintas pinturas representando episódios da vida de S.to António. |
Convento de S.to António |
 Igreja de Santiago
Situada no antigo arrabalde, é a igreja Matriz da vila, papel que desde cedo assumiu com a expansão extra-muros do antigo núcleo medieval. Ostenta na fachada ocidental os traços clássicos que denunciam a época da sua construção, séc. XVI. É composta de três naves e tem cabeceira abobadada. |
Igreja de Santiago |

Em redor...
As coisas agradáveis e dignas de interesse não se confinam à vila. O território circundante está carregado de sinais de um passado que ressurge à vista dos muros graníticos que delimitam os campos, das fontes de cantaria mais ou menos aperfeiçoadas, ruínas de antigas quintas que ora se quedam no silêncio dos campos que se apresentam de face sempre renovada ao longo do ano.
E há sempre um santuário, uma ermida, um espelho de água na paisagem. Tudo, contido nesse outro santuário da Natureza que Penamacor ainda é. |
| Topo |
| |
|
|