Se quisermos uma definição sucinta de História, diremos que ela é o estudo do rastro do homem, dos impulsos e motivações que justificam e condicionam a sua própria acção, enquanto agente transformador no espaço e no tempo. Acontece que um simples gesto de natureza comportamental, por ínfimo que seja, é resultado de milhões de anos de evolução em permanente interacção com o meio e a própria espécie. Acontece ainda que as relações causais não se confinam aos territórios de onde aparentemente emergem, antes reflectem circunstâncias, contributos e aprendizados que estão muito para além da esfera geográfica desses territórios, e cuja percepção, integração e assimilação se vêm processando a ritmos cada vez mais acelerados. Isto, para se dizer que os 800 Anos de História de Penamacor que foram originalmente no título desta exposição, convocam, de facto, horizontes temporais e espaciais que, em última análise, se confundem com a própria existência do homem, desde sempre, por estas paragens e muito para além delas. Por outro lado, é preciso ter em conta que o longo processo histórico que atravessa os últimos oito séculos, focalizado nesta parcela de território, não resulta exclusivamente dos factos conhecidos, pois que nos “interstícios” reside a esmagadora parcela de tempo onde os mecanismos de mudança, lenta, mas obstinadamente, operam. Temos, então, que é na leitura e decifração desses interstícios que reside a chave para uma melhor compreensão dos factos que hoje damos como marcos históricos. |